05 setembro 2011

Puzzle da Vida





A vida parece um carrossel gigante,
montanha russa onde um carro descarrilou
partindo-se em mil pedaços
quando no chão se estatelou.

Pedaços que voam ao vento e se perdem dispersos
como peças de um puzzle onde não se fazem versos.

Depois oferece-nos pedaços de volta
retalhos que não sabemos encaixar
neste puzzle imenso onde nem sempre temos lugar,
neste interminável jogo que nos faz jogar.

De repente eleva-nos nos ares
numa dança de graça e beleza para nos reconquistar.

Quere-nos de volta na brincadeira
não importa de que maneira
Empurra-nos para o meio do turbilhão
...quando apenas queremos ficar fora da multidão.

Também se compadece, às vezes,
e nos traz dias de sol com raios de luar...
onde espraiamos os nossos sentidos sem medo de caminhar
onde temos paz e nos apetece aconchegar...


30 agosto 2011

Texturas de Verão

Amena tarde ainda soalheira neste rescaldo de um Verão que parece nos ir deixar...
As horas correram nos passos das palavras docemente molhadas e logo chegou a hora do sol se querer esconder. Junto ao mar a brisa levantava pequenos salpicos de espuma que impedia o espelho entre mar e céu, mas os reflexos difusos e encantadores lá estavam para melhorar ainda mais as texturas que envolviam quem por ali passeava.
Os passos ficavam brevemente marcados no areal para logo desaparecerem levados pelo mar e a vista estendia-se até ao horizonte, nestas horas quentes e pacíficas.
E as horas estenderam-se já depois do sol se por... regadas por conversas calmas e copos fresquinhos, enquanto se aconchegava o estômago com petiscos apetecidos, numa perfeita descontracção.
Ambiente aconchegante... ou, talvez, pessoas aconchegantes... que aquecem a alma e afugentam os fantasmas que se escondem atrás da porta...

26 agosto 2011

Quem Sabe...


É vulgar dizer-se que, quando a vida nos fecha uma porta, logo abre uma janela...
É possível que sim, não sei. Mas sei que, quando se leva com uma porta na cara e se acreditava profundamente que ela jamais se fecharia, a dor é demasiado funda e perde-se a crença na raça humana.
Quem sabe um dia... a vida consegue tratar essa ferida, cicatrizá-la, devolver-nos a confiança que nos coloca de novo de pé e nos permite continuar esta viagem misteriosa da qual jamais sabemos o fim...
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Talvez um dia, sim...talvez. Mas é demorada a chegada ao pleno de nós próprios, à confiança nos nossos olhos e nos nossos sentidos e, principalmente, à confiança no que sentimos.
A pele rejeita qualquer outra pele, outro cheiro parece-nos invasivo, um simples toque se sente como uma intrusão. Talvez seja assim a "travessia do deserto" de que por vezes se fala... quase se morre de fome e, mesmo sedentos, achamos que o lago em frente não passa de uma miragem. Será real ou não passará de uma ilusão?... Será que não é a mente a enganar-nos?... Ou estaremos certos e realmente não há lago algum, tudo não passa de paisagem desenhada à medida apenas para nos enganar?...
Na mente apenas existe uma realidade, uma confusão imensa e uma insegurança tal que nos apetece apenas enfiarmo-nos na concha e ficar assim, escondidos do mundo para que ninguém se aperceba que existimos...